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Crônica: Você precisa ser honesto com o outro

Por Júlio Hermann

Uma das bandeiras que eu levanto e cravo no chão todos os dias é a de que a gente precisa ser honesto com o outro em todo e qualquer relacionamento. Depois de um tempo e umas batidas de cara no muro, aprendemos que maturidade e clareza são pesos fundamentais para que a equação de um relacionamento feche. Talvez, por isso, deixe claro – mesmo que através de sinais – todas as minhas intenções com a pessoa desde o início. Pode ser que seja menos romântico, ignore todos aqueles joguinhos chatos de charme – que cansam depois de um tempo – e assuste o outro pela maneira com que meto logo o pé no acelerador, mas faz com que eu economize um tempo danado no futuro, já que não vou precisar sofrer por um romance-platônico-que-parecia-tão-real-e-nunca-aconteceu. Essa máxima vale também para quando não quero nada com a pessoa.

Quando não queremos alguém, uma das maneiras mais fáceis de lidar com as coisas que o outro sente por nós e não sentimos de volta é sumir aos poucos. Uma ligação não retornada, uma mensagem respondida horas depois sem nenhum pedido de desculpas e um sumiço anunciado que faça o outro questionar cada uma das nossas atitudes anteriores, por mais que essas ações sejam normais para quem é o lado mais racional que sentimental da história. Mas por quê?

A gente foi honesto até então, tudo certo até aí, mas percebeu que a vibe não batia com a do outro. Qual o problema em comunicar isso? O problema do sumiço não justificado é que ele faz com que a outra pessoa coloque uma série de coisas em xeque sobre si mesmo e sobre nós. É mais fácil sumir a agradecer o outro pela companhia momentânea e dizer que nos enganamos. Por outro lado, todos somos adultos o suficiente para entender que existe timing e uma porção de coisas que não controlamos e fazem parte do universo dos amores e relacionamentos.

Isso vale também para relacionamentos em fase de construção. Falar para o outro que pra você a história está sendo bacana, bonita até, mas que pretende só curtir e abre mão de toda e qualquer obrigação e ainda assim continuar a se relacionar é ser cruel com o outro, principalmente se ele tem projetado um futuro com você. Avisar que você irá vacilar e pode deixar o outro à deriva a qualquer momento não faz com a pessoa sinta menos com a perda depois que você for embora. Não desfaz o laço, não ameniza nenhum dos problemas padrões que o peito precisa enfrentar depois de qualquer fim. “Eu vou ser babaca, tudo bem por você?”. Por mim não.

Assumir de cara a posição que você pretende ocupar no futuro alheio pode parecer complicado demais no início, mas com o tempo a gente percebe que é mais honesto e menos doloroso. A gente perde muitas vidas tentando entender o porquê de um fim que parecia tão improvável e tentando decifrar se o alguém por quem pretendemos nos doar agora vai ser sincero conosco quando decidir que não dá mais.

Não ser honesto é o mesmo que estacionar a vida do outro em uma vaga que não foi feita pra ele. Se a não queremos, tudo bem, bola pra frente. Alguém que ele queira vai querê-lo de volta alguma hora. Conosco vai acontecer também. O que não pode acontecer é a gente pegar o coração do outro e embrulhar pra viagem para o caso de os nossos outros planos – que nunca são o outro – darem errado.

Sobre o autor
Gaúcho, escritor e jornalista, Julio Hermann escreve sobre cada pequena coisa que a gente sente e não diz, todo pequeno detalhe que guardamos no peito com medo de se expor demais para as pessoas lá fora. Na literatura, publica ao lado de alguns dos mais importantes jovens autores do Brasil. Produz conteúdo literário, informativo e institucional, ministra palestras e acredita que todo rosto pode contar uma história interessante, desde que resolva conta-la de peito aberto! Conheça mais do autor no site: https://juliohermann.com/

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