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Opinião: “Vamos enlouquecer o algoritmo!”

Por Flávio L. Prestes
CEO Fundador Acontece Floripa

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Regina Casé foi aplaudida de pé no encerramento do Festival Mundial de Publicidade. Foto: Clarissa Menna Barreto/Famecos/PUCRS

Participar de grandes eventos, assistir palestras, focar na capacitação e aprender! Esse é o objetivo dos profissionais que realmente buscam a excelência. Com este objetivo decidi participar do Festival Mundial da Publicidade de Gramado que ocorreu esta semana na Serra Gaúcha. Ouvir cases de sucesso como Walter Longo, presidente do Grupo Abril, sempre é relevante para os profissionais da área da Comunicação.

No geral o evento foi produtivo e abordou, na minha opinião, um tema relevante e atual: Se Reinventando para Fazer a Diferença! É preciso falar sobre e aprofundar o assunto.

Porém, foi o fechamento que me surpreendeu positivamente. Confesso duas coisas: sou admirador do jornalista Caco Barcellos e até ontem olhava para a apresentadora Regina Casé com certa indiferença. Fui para a palestra de encerramento do evento, em que ambos participavam, com um certo pré-conceito. Talvez porque sempre tive um pé atrás com o veículo de comunicação que ambos representam, são contratados e apresentam seus programas.

Mas, a abordagem dos dois globais me pegou tão de surpresa que fui obrigado a rever meus conceitos quase que instantaneamente. Caco falou de forma simples sobre a profissão. Explicou o seu dia a dia e abriu o porquê de seu programa dar palco para pessoas anônimas e que não representam a minoria e sim a maioria da população brasileira. Mostrou que, além de excelente profissional, é um ser humano que se preocupa com as histórias que conta ao seu público. Talvez esta receita seja o motivo do sucesso do Profissão Repórter que, esta semana, atingiu 20 pontos no Ibope após a meia noite. Algo impensável em tempos de Internet e TV a Cabo.

Mas, a grande surpresa da noite foi a apresentação de Regina Casé. Radiante, simples, humana e, acima de tudo verdadeira. A apresentadora começou explicando sua história, sua ligação com a elite e com a favela. Falou como circula por dois mundos tão diferentes de forma segura, sem medos e com espírito agregador. De maniera despojada falou sobre os rótulos que que lhe colocam (e muitos deles a gente já ouviu e concorda sem saber se são reais ou não).

Regina mostrou de forma didática, para uma platéia de cerca de 500 jornalistas, publicitários e estudantes, o porquê circula na favela e tem muitos amigos “pretos”, como ela mesma diz. Trouxe um choque de realidade ao mostrar uma verdade: o mundo anda em direção ao extremismo. Um mundo onde o “diferente” é condenado pelos grupos formados no WhatsApp, no Facebbok e nas redes. Um mundo onde as pessoas se deixam levar pelo algoritmo da Internet e das redes sociais. Onde todos são iguais na melhor definição de massa manipulada.

O encerramento de Regina Casé foi brilhante: “Tenho um convite para vocês: Vamos enlouquecer o algoritmo! Eu escuto música clássica, funk, samba, MPB. Tenho amigos negros, amigos ricos, amigos brancos! Eu tiro sarro do algoritmo. Imagino o algoritmo enlouquecido tentando decifrar o que combina comigo.”

Brilhante, foi aplaudida de pé. Tive que ver uma palestra da Regina Casé, em Gramado, para entender um pouco de inclusão e de diversidade. Foi um encerramento com chave de ouro para um evento que, na sua 21ª edição, mostrou uma discussão real, proposital e contemporânea.

A conclusão? Precisamos urgentemente enlouquecer o algoritmo!

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